Neste momento em que a tua mente permanece na sua condição natural, sem nada imaginar, a consciencia do momento é em si bastante comum. Quando você olha para dentro de si mesmo, desta maneira despida e sem qualquer pensamento discursivo, existindo apenas este puro observar, você perceberá uma claridade luminosa, sem que esteja presente algum outro observador. Apenas a consciencia nua estará presente. Esta consciencia é vazia e imaculada, mente pura que não foi criada por coisa alguma.
Ela é autentica e inalterada, sem qualquer dualidade de clareza ou inexistencia. Ela não é permanente, mas também não tem origem ou algum causador. Entretanto, ela não é apenas o nada, ou alguma coisa que tenha sido simplesmente desfeita, por que ela é lúcida e está presente.
Ela não existe como entidade independente, por que está viva e perceptivel em termos de ser muitas. Por outro lado, ela não existe como uma multiplicidade de coisas, por que ela é indivisível e tem um único aroma. Esta auto-consciencia intrínseca não surge de nada que seja exterior a ela mesma.
Esta é a verdadeira introdução ao estado real das coisas.
de um texto do guru Padsamambhava, séc.8
A meditação é a maneira pela qual nosso sentido de eu – da dualidade sujeito/objeto na percepção e no conhecimento – é levado a desaparecer, enquanto a consciencia continua participando inteiramente do desenrolar da experiencia.
O misticismo, para ser viável, requer instruções explícitas, que não precisam ser mais ambiguas nem mais elaboradas que o manual de operações de um cortador de grama.
Algumas tradições perceberam isto há milênios. Outras não!
Sam Harris, The End of Faith, 2006