Adieu mystères

E os homens vieram, os filósofos à frente, depois os sábios, e eles adentraram com ousadia a espessa floresta de superstições, e arrancaram árvores sem cessar, abrindo caminhos para que outros viessem, e depois passaram a desbravá-la com fúria, produzindo o vazio,    a planície, e a luz ao redor deste terrível bosque.

Este resto de floresta é o único espaço deixado para os poetas e para os sonhadores, pois nós temos sempre esta invencível necessidade de sonhar, esta nossa antiga raça tão acostumada a não compreender, a não indagar, e a não saber. Uma raça feita de mistérios insolvíveis e que não se entrega à verdade pura e simples: ela se agarra a seus fetiches e rejeita os lenhadores,   apelando desesperadamente aos poetas!

         

   Trecho da crônica “Adieu Mystères”, Guy de Maupassant, 1881

                                                                        

Deixe um comentário